quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Vizinho do Madison Square Garden, brasileiro perturbou UFC para lutar em NY

Qual é o lutador que não gostaria de estar no card do UFC 205? Depois de 19 anos de proibição, o MMA finalmente vai voltar para Nova York e, para melhorar, acontecerá no lendário Madison Square Garden, um dos ginásios mais famosos do mundo. Conor McGregor quis e, com o poder que possui, conseguiu. Mas nem todo mundo é como o irlandês. Rafael "Sapo" Natal, radicado na cidade há oito anos e vizinho do "templo" esportivo, também se interessou, mas teve que "perturbar" a organização para garantir sua presença no próximo sábado, quando enfrenta Tim Boetsch pelos pesos-médios (até 83,9 kg).

Natural de Belo Horizonte, Minas Gerais, Sapo optou ir para Nova York em setembro de 2008 após sofrer sua primeira derrota na carreira, ainda por um evento chamado Fury FC. Contra Eduardo Telles, ele foi nocauteado com um chute na cabeça e, a partir de então, decidiu se mudar para os Estados Unidos para aperfeiçoar seus treinamentos. Quando soube que o UFC havia marcado a data do evento em Nova York, Sapo começou uma campanha para estar presente no card, que já é considerado um dos mais importantes da história da organização.

"Vim para Nova York já por conta do vale tudo, do MMA. Já tinha oito lutas como profissional. Treino desde então na academia do Renzo (Gracie), que é uma rua do Madison Square Garden. Então, todo dia passava por ali para treinar e ficava pensanado: 'imagina que foi liberado por aqui, vai ser irado'. E o sonho se realizou", disse Sapo em entrevista exclusiva ao UOL Esporte.

"Fui falar com meu empresário que queria estar neste card desde o dia que liberaram o esporte no estado. Coloquei foto no Instagram e fiquei perturbando o UFC, falando que ninguém era mais local que eu, que moro a 15 minutos de distância do Madison. E eles me deram. Estou muito feliz, é um evento histórico. Estamos prontos para fazer história", acrescentou.

Quando perguntado se sofreu algum tipo de preconceito nestes anos em que os eventos de MMA eram proibidos, Sapo negou. "Cara, muita gente me pergunta isso, mas nunca passei por nenhum tipo de discriminação por isso. Os eventos sempre foram proibidos, mas eles amam luta. O boxe aqui é muito forte, tanto na cidade quanto no estado. Sempre treinamos aqui, mas lutávamos ao redor. Era o pedaço que faltava ao esporte. Os nova-iorquinos estão muitos felizes. Mesmo com tudo isso sobre as eleições, os veículos de comunicação ainda dão atenção para o evento, falam dele... Todo mundo está feliz", completou.

Sapo, que vai para sua 16ª luta na organização, estava em grande forma até ser derrotada por Robert Whittaker, no UFC 197. Antes do revés, ele somava quatro vitórias seguidas, sendo três por decisão e uma por nocaute.



Neste sábado, ele não terá vida fácil pela frente. Seu adversário será Tim Boetsch, norte-americano de 35 anos. "O Bárbaro", como é conhecido, porém, vem de sequência inversa a do brasileiro. Foram três derrotas seguidas e um vitória no último confronto. Ele é conhecido por ter uma mão pesada, capaz de nocautear com facilidade, e um bom jogo de wrestling, enquanto Sapo tem preferência pelo chão, usando o jiu-jitsu, sua especialidade.

"Vou buscar os buracos do jogo dele, mas nunca sabemos o que pode acontecer. Ele tem a mão pesada, também tem um bom wrestling, ou seja, é difícil colocá-lo para baixo. Se eu não puder derrubar, estou pronto para trocar em pé. Estou muito bem preparado, minha evolução da última luta para essa foi grande", finalizou.





Por: Guilherme Dorini/Uol
Foto: Rodrigo Malinverni e Esther Lin

Nenhum comentário:

Postar um comentário