terça-feira, 3 de novembro de 2015

Na terra de Messi e Neymar, atleta do UFC desfaz preconceito contra o MMA

Falar de esporte em Barcelona é quase sempre falar de Messi, Neymar, e de um dos times de futebol mais famosos do mundo. Para os mais saudosos é lembrar também das Olimpíadas de 1992. Mas um lutador brasileiro tenta mudar esse cenário e adicionar um novo tema no debate esportivo local: o MMA.

Yan Cabral é o primeiro lutador do UFC a escolher a cidade como base para treinar e viver. O carioca, com cartel de 12 vitórias - uma delas contra a lenda Kazushi Sakuraba - e apenas uma derrota, possui uma equipe de jiu-jítsu há 10 anos na Europa, acaba de montar uma academia com amigos, e começa a formar seu time de MMA.

- Aqui existe muita tradição de luta em pé, equipes de jiu-jítsu. O pessoal já vive a luta. MMA é um pouco novo, mas juntando tudo, acho que tenho aqui, modalidade por modalidade, melhor que em qualquer lugar do mundo - explica o brasileiro, que diz ser muito questionado por não iniciar o projeto no Brasil ou nos Estados Unidos, mas nunca se sente prejudicado.

O lutador quer se estabelecer em Barcelona, mesmo sabendo que terá de percorrer um longo caminho para a popularização do esporte na Espanha. Apaixonado pelo ambiente desde que pisou na cidade pela primeira vez, em 2008, ele já trouxe a esposa e a filha, trabalha com seu preparador físico David Leon, e montou até um espaço para comer açaí dentro da própria academia, para não ter do que sentir falta. A ideia é montar uma equipe de MMA tão forte como é o Barça de Messi e Neymar no futebol.

- A longo prazo vai ser um trabalho bem maneiro. O pessoal aqui não é profissional como no Brasil. Lá um moleque de 15 anos vê isso como oportunidade da vida. Aqui o pessoal estuda, trabalha, e treina por hobby. Acho que a partir do momento que eles começarem a ver que dá para viver disso, que é uma profissão como outra qualquer, a gente vai conseguir o que desejamos - analisa.

O MMA vive um "boom" na Espanha. Além da chegada de Yan Cabral, o país tem seu primeiro lutador participando de uma edição de TUF, Enrique Wasabi, que é finalista da versão América Latina. A equipe Aranha já conta com espanhóis, como o catalão Alex Cabanes. Ele vive do esporte, e venceu em sua luta de estreia, em outubro - o evento em que participou foi realizado em Barcelona, e a cidade já conta com mais de dez academias para a prática da modalidade.

- Aqui não é como Brasil ou Estados Unidos que o MMA é muito mais conhecido. As pessoas de fora não te olham com os mesmos olhos, mas está melhorando. O cenário está evoluindo muito. Os eventos estão muito mais organizados, têm mais exposição, e os atletas estão mais preparados, tanto no solo como em pé - diz Cabanes, que é faixa preta de jiu-jítsu.

Com a evolução do esporte, os lutadores esperam que a entrada na Espanha esteja nos planos de expansão do UFC na Europa. Em janeiro deste ano, Yan tinha luta marcada em Estocolmo, Suécia, em evento realizado em um estádio de futebol, mas ficou fora por lesão. A cidade em que vive agora possui um dos maiores templos do mundo, o Camp Nou, e quem pode dizer que um dia não abrigará um de seus combates?

- Não sonhei com isso ainda não, mas seria maneiro. Eu acho que vai demorar um pouco ainda para o UFC chegar na Espanha, um prazo de dois anos. Barcelona é o centro da Europa, é o lugar mais visitado, tem um clima bom, praia, é uma cidade que tem essa magia, todo mundo tem vontade de conhecer. Acho que se fizesse um UFC aqui seria sucesso, com certeza - imagina Cabral.

Enquanto o UFC não vem até Yan, ele vai até o UFC. A próxima viagem está marcada para o dia 29 de outubro. Ele tem luta marcada contra Johnny Case, no UFC Belfort x Henderson, em São Paulo, no dia 7 de novembro, mas antes irá ao Rio de Janeiro, para fazer os últimos ajustes com seus companheiros da equipe Nova União e o treinador Dedé Pederneiras.

No momento, Yan Cabral mantém os pés no chão na hora de pensar no cinturão da divisão dos leves, e não tem pressa. Para o carioca ainda há um caminho natural a seguir, já que está há um ano sem lutar, mas também sem ficar parado. O foco agora é só no combate com Case.

- Eu venho evoluindo bastante no boxe e no wrestling, jiu-jítsu, estou sempre treinando. Meu adversário é um cara duro, tem quatro anos sem derrotas. Vou buscar a finalização, espero que ele tenha treinado bastante jiu-jítsu, senão vai bater. Se estiver, vou nocautear, essa luta não chega ao terceiro round.





UFC: Belfort x Henderson 3
7 de novembro, em São Paulo (SP)

CARD PRINCIPAL - a partir de 1h (horário de Brasília):

Peso-médio: Vitor Belfort x Dan Henderson
Peso-meio-pesado: Glover Teixeira x Patrick Cummins
Peso-galo: Thomas Almeida x Anthony Birchak
Peso-leve: Alex Cowboy x Piotr Hallmann
Peso-leve: Gilbert Durinho x Rashid Magomedov
Peso-meio-pesado: Fábio Maldonado x Corey Anderson

CARD PRELIMINAR - a partir de 22h (horário de Brasília)

Peso-leve: Gleison Tibau x Abel Trujillo
Peso-leve: Yan Cabral x Johnny Case
Peso-pena:Clay Guida x Thiago Tavares
Peso-pena: Kevin Souza x Chas Skelly
Peso-meio-médio: Viscardi Andrade x Gasan Umalatov
Peso-galo: Pedro Munhoz x Jimmie Rivera
Peso-galo: Bruno Korea x Matheus Nicolau

Por: Cássio Barco/Combate
Foto: UFC

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