domingo, 8 de novembro de 2015

Brasileiro supera lesão à la Spider e vence; Tavares finaliza em 39s4

Viscardi Andrade viveu quase dois anos afastado do octógono. Uma lesão semelhante à de Anderson Silva, ocorrida durante um treino, o tirou de ação. Mas, neste sábado, ele voltou com vitória ao UFC. Além dele, quem levantou a torcida foi Thiago Tavares, com uma finalização sobre o veterano Clay Guida em 39s.

O meio-médio encarou o russo Gasan Umalatov na terceira luta da noite, e fez um combate bastante parelho. Ainda assim, foi melhor em pé, segurou firme quando foi balançado por um chute rodado e levou a decisão unânime nas papeletas dos jurados.

"É incrível, queria agradecer a esse público de São Paulo, Brasil, estou há dois anos parado. Tive que ir acelerando, no finalzinho senti o ritmo, mas foi melhor para pegar experiência", afirmou Viscardi. "É MMA, eu ia para mão, no chão também fui bem, onde precisar estou pronto."

Viscardi quebrou a perna durante um treino. Num movimento, andou para trás e a perna se dobrou de forma errada. Partiu os dois ossos, como Anderson – mas com Spider o ocorrido foi em luta, quando Chris Weidman bloqueou um chute.





Viscardi podia ter voltado antes, mas teve uma luta cancelada no meio do ano, por problemas de visto, então aguardou com ainda mais ansiedade o retorno. E deixou seu recado: "UFC, eu tô de volta!".

Com a vitória, são 18 vitórias e seis derrotas para Viscardi Andrade, que agora tem duas vitórias e um revés dentro do UFC. Neste sábado, ele também teve um momento especial na entrada no octógono, já que estreou uma música feita para ele. A banda About2Crash, de metal, compôs uma canção inspirada nele, que é roqueiro, e a letra fala do que passa na cabeça de um lutador quando ele sobe no ringue.

Tavares finaliza em 39s
Apesar da vitória de Viscardi, quem acendeu o público foi Thiago Tavares, que venceu muito rapidamente o veterano Clay Guida. O jogo do norte-americano costuma ser amarrar a luta no chão, e o catarinense não perdoou. Logo na primeira queda, agarrou o pescoço do rival e finalizou com uma guilhotina em 39 segundos - recorde da categoria pena.



Thiago comemorou muito, subindo na grade, e a galera foi ao delírio, enquanto ele apontava e gritava na direção de Guida - visivelmente abatido com sua 16a derrota na carreita - tem 32 vitórias. O brasileiro se recuperou de derrota e vai tentar embalar mais uma vez no UFC.

"Eu acredito em mim. Era azarão para essa luta, mas sei que tenho o melhor jiu-jítsu da categoria. Eu posso bater qualquer um do meu peso", disse ele. "Eu esperei ele fintar o soco, e quando peguei o pescoço dele, já dei risada. Sabia que tinha conseguido."

Finalização para abrir a noite
Em um combate de dois lutadores que participaram do TUF Brasil 4, Matheus Nicolau mostrou superioridade em praticamente todos os momentos contra Bruno Korea – conhecido por um lindo nocaute no reality show.

Matheus conseguiu dois knockdowns contra Korea, foi ao chão uma vez ao tomar um chute rodado no corpo, mas se deu melhor no terceiro round, quando encaixou sua finalização e somou a sua 11ª vitória em 13 lutas – tem uma derrota e um empate.



Com emoção
Pedro Munhoz voltou de uma suspensão de um ano por doping – metabólitos de testosterona foram achados no seu organismo – e pegou o norte-americano Jimmie Rivera, vindo de três nocautes seguidos. E o combate teve altas doses de emoção.

O momento mais empolgante foi no segundo round. Com Rivera sempre à frente, dominando as ações em pé, o brasileiro tomou um knockdown e viu o rival vir como um trem desgovernado para cima. Munhoz, então, conseguiu um golpe certeiro que balançou Rivera. Apesar do lance, a luta se encerrou por pontos, e o estrangeiro levou a melhor por decisão dividida, com sua 18ª vitória em 19 lutas, sendo a segunda no Ultimate. Pedro agora está com 12 vitórias e duas derrotas – além do no contest, por conta do doping.

Kevin Souza decepciona
Uma das revelações do país, Kevin Souza acabou finalizado por Chas Skelly, no segundo round. O rival o pegou com um mata-leão e encerrou uma série de três vitórias seguidas do brasileiro. Nocauteador, ele chegou a aplicar um knockdown em Skelly, mas levou a quarta derrota por finalização de sua carreira.

Finalização polêmica
Na luta que encerrou o card preliminar, muita reclamação. Abel Trujillo ficou na bronca, dizendo não ter batido na tentativa de estrangulamento deGleison Tibau. O brasileiro, que fez sua 26a luta no UFC e está a uma do recordista Tito Ortiz, apenas comemorou, enquanto o árbitro o separou de seu rival - provavelmente achando que Trujillo tinha batido. Tibau vinha de derrota e se recuperou com o resultado do positivo, sua 17a vitória na organização, um recorde na categoria.

"No fim da luta, só vi o árbitro falando para mim: 'pare, pare', então...", disse Tibau, que pediu para voltar logo ao octógono, para chegar ao recorde de Tito.



Card preliminar

Leves: Gleison Tibau finalizou Abel Trujillo, no 1 º round
Leves: Johnny Case venceu Yan Cabral, por pontos
Penas: Thiago Tavares finalizou Clay Guida, a 39s do 1º round
Penas: Chas Skelly finalizou Kevin Souza, no 2º round
Meio-médios: Viscardi Andrade venceu Gasan Umalatov, por pontos
Galos: Jimmie Rivera venceu Pedro Munoz, por pontos (decisão dividida)
Galos: Matheus Nicolau finalizou Bruno Korea, no 3º round





Por: Jorge Corrêa e Maurício Dehò/UOL Esporte
Foto: UFC

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