quarta-feira, 1 de abril de 2015

Cigano não crê que Overeem esteja correndo e aprova luta: "Interessante"

Assim que Alistair Overeem derrotou Roy Nelson, no dia 14 de março, no UFC 185, o nome de Junior Cigano veio à tona como possível adversário do holandês. O brasileiro - que se recupera de cirurgia no joelho direito - vai ficar até julho em reabilitação e, apenas após esse período, poderá pensar em voltar ao octógono.

Em entrevista ao Combate.com, Cigano aprovou o confronto com Overeem, que, diga-se, já deveria ter virado realidade. Isto porque a luta aconteceria em maio de 2012, no UFC 146, mas o ex-campeão do Strikeforce foi pego em um exame antidoping surpresa depois da coletiva de imprensa para promover o show.

- Agora essa luta está se desenhando um pouco mais. É uma luta interessante. Se o UFC achar isso também, vai acontecer. Ele está em boa fase, com duas vitórias. Antes estava apático na categoria. Independentemente de quem seja, quero uma luta que possa me acrescentar, me fazer evoluir na busca para voltar a ser campeão. Agora meu objetivo é voltar a lutar. Mas pode ser uma boa lutar com ele, sim.

Quando perguntado sobre o duelo, Overeem hesitou - não parecia animado para medir forças com o ex-campeão do peso-pesado. A tese de que o adversário estaria fugindo, entretanto, é descartada pelo catarinense.

- Não acho que esteja correndo, não. Ele é um lutador que conquistou grandes títulos. Nós, lutadores, não tratamos adversários com medo ou coisa assim. Isso não existe para mim e acho que é assim para a maioria dos lutadores de verdade. Não tenho medo de ninguém. Ele está melhor treinando com o Greg Jackson. Trouxe coisas novas, como o pisão, que vemos muito com o Jon Jones. Pode ser uma estratégia da casa que funciona muito bem. Ele se movimentou, golpeou sem ser atingido, acabou evoluindo. Também não estava tão forte como costumava, está trabalhando mais a velocidade.

Se o UFC vai casar o duelo ainda não se sabe. O certo é que Cigano deixou, por ora, o Rio de Janeiro, para fazer fisioterapia em Salvador, onde morava. Escapou do aluguel da Cidade Maravilhosa e está sendo assistido por Aryvan Gomes, que comanda sua reabilitação.

- Faço fisioterapia duas vezes por dia, menos domingo. As coisas estão correndo bem, evoluindo. A dificuldade maior é esticar a perna totalmente, o que não consigo com facilidade, só forçando. O doutor Moisés Cohen, que me operou, falou que a recuperação é de seis meses e que não vai me liberar antes disso, pois exigirei muito do ligamento do joelho - explica o especialista em boxe, que tenta realizar alguns exercícios que não exijam esforço das pernas para se manter ativo.

Vitorioso no octógono ou não, Cigano tem saído bastante machucado em suas lutas recentes - vide contra Cain Velásquez e Stipe Miocic. O catarinense explica que a aparência é mais impactante do que, de fato, são os danos causados pelos oponentes.





- Na minha última luta eu estava com uma certa limitação na movimentação, a confiança estava abalada, com certeza. Tenho uma facilidade enorme em ficar inchado e me cortar. No primeiro jab do Miocic vi que pingou uma gota de sangue. Fico bastante inchado, é uma característica minha. Às vezes as pessoas entendem que estou muito mal, mas não estou. Foi como o Velásquez: alguns golpes foram efetivos, mas a maioria não. Ele me tocou bastante - declarou Cigano, ciente de que precisa ser menos previsível em sua estratégia.

- Estou tentando me entender um pouco mais. Hoje o boxe é minha principal arma. Treino wrestling, jiu-jítsu, mas preciso ter confiança em aplicá-los na hora da luta, o que é diferente dos treinos, e não ficar bitolado. Trabalho isso na minha cabeça. Sei que tenho armas para ser o número um. Tenho que mudar isso. Quer lutar no chão? Vamos lutar no chão. É MMA. O professor Dedé Pederneiras me ajuda bastante nisso.

Atleta da Nova União desde o ano passado, Cigano planeja fazer intercâmbio com outras academias em 2015. Apesar de não ter planos de se mudar do país definitivamente, gosta da ideia de treinar na American Top Team, equipe que Antônio Cara de Sapato, seu amigo de longa data, passou a integrar recentemente.

- Tenho muitos colegas lá. O Cara de Sapato que é meu irmão está indo para lá. O Pezão, o Jucão... O Yuri Carlton, meu mestre no jiu-jítsu, é mestre do Jucão. Quero fazer esses intercâmbios, falei com o Dedé que seria legal. Tem o Steve Mocco, fera no wrestling. É bom para diversificar o treinamento. Isso pode acontecer, sim. Hoje faço parte da Nova União e estou feliz com isso. O Minotauro e eu sempre íamos para San Diego, o que me acrescentou bastante. No momento em que não atrapalhar meus treinos na Nova União, talvez seja legal voltar a fazer isso.

Por: Marcelo Barone/Combate
Foto: Reprodução

Nenhum comentário:

Postar um comentário