sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Erick Silva vê EUA à frente do Brasil e vai treinar com Jon Jones para deslanchar no UFC

Aos 30 anos, Erick Silva fará sua nona luta no UFC. O combate está marcado para o próximo dia 20 de dezembro, quando encara o norte-americano Mike Rhodes no UFC Fight Night: Machida x Dollaway, em Barueri. Após o combate, independente de derrota ou vitória, ele já sabe o que vai fazer.

Erick vem de derrota para Matt Brown, em maio, e agora tentará novamente engrenar na categoria dos meio-médios. O capixaba fará um camp no começo de 2015 na Jackson's MMA, nos Estados Unidos, onde treinam, entre outros grandes nomes, Jon Jones, campeão do peso meio-pesado. E é lá que Erick Silva quer melhorar, como ele contou em entrevista ao ESPN.com.br.

Também é nos EUA que o lutador vê a melhor preparação que um atleta pode ter para um combate. Para Erick, o país norte-americano está à frente do Brasil na parte médica.

Ele explicou isso e falou de outros assuntos na entrevista que você lê abaixo:

ESPN.com.br: Qual a diferença de lutar contra o Matt Brown, quinto do ranking, e contra o Mike Rhodes, que perdeu as duas lutas que ele fez até agora no UFC?

Erick Silva: Em relação ao adversário, isso é relativo, porque são dois adversários completamente diferentes. Um vinha de viradas, vitórias, e outro de duas derrotas. Mas isso não afeta o meu treinamento, vou tentar uma vitória em uma outra luta. O adversário está vindo de derrota, mas ele vai se preparar para vir pra vitória. Ele é um ótimo lutador na parte em pé. Vai se preparar para não perder. Não posso esperar uma luta fácil.

O que você aprendeu na luta contra o Brown?

Com a minha equipe, a gente sentou, conseguiu analisar alguns pontos, a maior parte de erros que cometemos. Vamos tentar não cometer mais, é um grande aprendizado. Tem coisas para essa luta, como a parte médica, que eu não tive para a última luta.

Que tipo de coisas?

Como nunca tive nenhum acompanhamento específico, que é uma coisa que os americanos fazem muito, estou tendo acompanhando médico com todos os profissionais. Ter esses números era para saber da evolução, saber se estou fadigado ou não, o que podemos melhorar. Isso não tem como negar, é o número que está no exame, que é o que está acontecendo no nosso corpo.

Estou adorando isso, essa parte médica está sendo fundamental. É uma equipe, que tem a parte médica, fisioterapeuta, tudo. Faz exame de sangue, nutrição, acompanhando médico. O mais importante disso é que é todo mundo está falando a mesma língua. Não vou procurar o nutricionista que não vai ter o contato com o resto da equipe.

Você é um lutador que faz muitas lutas no Brasil. Das oito lutas no UFC, seis foram no Brasil. Como é isso?

É o número de eventos no Brasil. Está tendo muitos eventos no Brasil, então tem que ter brasileiro lutando no evento. Esses eventos, como tem muitos atletas, é mais fácil pegar os eventos. Eu gosto de lutar no Brasil, mas é uma coisa normal.

Como você vê o ranking do UFC? Você acredita que ele realmente ranqueia os melhores lutadores?

O ranking seleciona os melhores atletas, os que estão na cabeça. Na minha categoria, está muito bem feito, com os cinco primeiros muito bem. O ranking ele serve mais para mostrar mesmo.

Mas, às vezes, eu não entendo muito a parte de cinturão. Não da minha categoria, mas tem os atletas, e o campeão luta contra o quarto, o quinto da categoria. Apesar de que isso é relativo, porque, às vezes, o primeiro do ranking já lutou e perdeu o cinturão, então tem que ter outras oportunidades para os outros.

Não na minha categoria, mas em outras categorias, tem atleta que foi de quarto para primeiro. Não é uma escadinha. O décimo pode ganhar e dar um salto para primeiro.

Hoje você não está entre os 15 no meio-médio. Acha justo?

Para ser honesto, eu não faço a mínima ideia. Nunca me liguei nisso. Tem gente que faz conta, eu nem ligo muito nisso, é mais importante ganhar ou perder. Para mim, o mais importante é ganhar. Ficar em 15º, décimo, isso não importa.

Em setembro, você disse que passaria um mês (entre outubro e novembro) na Jackson's MMA, nos Estados Unidos, academia onde também treina o Jon Jones. Essa viagem realmente aconteceu?




Quando fiquei sabendo que ia lutar, tinha dois meses para o combate. Eu e minha equipe preferimos deixar para fazer esse treino depois da luta. Isso porque, o primeiro mês seria de adaptação, eu tenho dificuldade do inglês, então não sei se poderia aproveitar tanto. Ficamos com medo de ficar se adaptando e ter apenas um mês para se preparar. E, com um mês, o lutador não consegue ficar no auge na preparação.

Mas, com certeza, eu vou em janeiro. Vou para fora tentar aprimorar mais a parte técnica. A gente pretende ir em grupo com pessoas que vão me ajudar lá e para absolver o máximo. Para mim, vai ser uma honra fazer parte desse camp, treinar com ele (Jon Jones). Vou lá para aprender.

Você acredita que os EUA estão à frente do Brasil no MMA?

Eles (EUA) estão na frente na parte médica. Eles dão mais importância para o atleta ter interesse em procurar o médico, mas, aqui no Brasil, também temos profissionais ótimos. O próprio Dillashaw e o Barão. O cara se preparando era tudo planejado, parte médica, com câmara de oxigênio.

É muito fácil encontrar uma câmara hiperbárica, câmara de nitrogênio, nos Estados Unidos. Já, no Brasil, é muito difícil. Lá, em qualquer clínica vai ter isso. O lutador pode acabar o treino que qualquer clinica tem isso. Já a nossa recuperação no Brasil é apenas no sono.

Eles estão na nossa frente nessa parte. Enquanto os atletas eram só no coração, os brasileiros levavam. Agora, com essa parte médica e científica, eles estão na nossa frente.

Os americanos não dependem só de um treinador. Lá fora, podem contar com vários equipamentos muito bons. Deixa seu corpo muito preparado no final. É uma luta muito desgastante ao final dos cinco rounds, e eles estão muito bem preparados.

Por: Gustavo Setti;ESPN
Foto: Adriano Albuquerque

Um comentário:

  1. pangaré.
    mto mimimi pra pouco resultado... enfim, tomara que se torne um lutador melhor, por enqto ta mais pra propaganda enganosa.

    ResponderExcluir