terça-feira, 28 de outubro de 2014

Êxtase, superação, dor, sorrisos e lágrimas: mais uma batalha vencida por José Aldo

Por trás dos óculos escuros às 3h30 da madrugada do último domingo, se escondiam muitas marcas deixadas por um duelo que valia muito mais que um título, mas também todos os sonhos de um brasileiro e a convicção de um trabalho árduo, mas apaixonante.

Ainda em cima do octógono, José Aldo recebeu o cinturão enrolado na bandeira do time que tanto ama, o Flamengo, e fez questão de abraçar cada pessoa de sua equipe e agradecer pelo empenho de todos em mais uma vitória.

Em uma hora de entrevista, ninguém viu para onde o campeão dos pesos-penas José Aldo olhava, mas a certeza de dever cumprido estava estampada em sua face, no sorriso largo e fácil que teimava em sair de seus lábios.

Calmo e respeitoso com seu adversário ao lado, Chad Mendes, Aldo era sinônimo de vitória, mas acima de tudo, de superação. O manauara que chegou ao Rio de Janeiro, aos 16 anos, sem dinheiro e pouca bagagem, tinha um só objetivo: ser um grande campeão. E viu na Cidade Maravilhosa essa oportunidade para um futuro melhor.

Dedé Pederneiras que recebeu aquele menino franzino em sua academia na Praia de Botafogo, em 2002, tinha boas referências vindas do Norte, mas nos primeiros encontros o treinador viu que ali havia um verdadeiro vencedor. E aquele encontro gerou grandes frutos que permanecem até hoje na equipe Nova União. Por isso, as palavras finais na coletiva de imprensa não poderiam ser diferentes.

"Quando eu cheguei sonhava ser campeão e não via esse lado (de marketing de uma luta). Mas temos que pensar no lado financeiro. Faz parte do nosso trabalho. Para mim, se for o Conor (o irlandês Conor McGregor), ou qualquer outro, vou dar o máximo e promover no que puder a luta. Não só eu. Tenho uma equipe de dez pessoas e tenho que pagar todo mundo. Quanto mais uma luta é promovida, mais é vendido. Não posso pensar só em entrar e lutar. Muita gente depende de mim", disse, consciente e sabendo a exata dimensão de seus passos e atitudes.

José Aldo subiu ao octógono para defender seu cinturão pela sétima vez, a segunda contra Chad, agora um oponente mais maduro, treinado e calejado, do que aquele que encontrou em 2012. E a batalha não foi fácil para o brasileiro, que foi bastante castigado por seu adversário, mas no final, sua técnica e seus golpes precisos superaram a força, e a decisão unânime dos juízes garantiu que o único cinturão do UFC continuasse aqui.

A perda do título significaria um grande declínio do MMA no país, e mais um ídolo se esvairia. Já que as quedas de Anderson Silva (peso médio), Junior Cigano (peso pesado) e Renan Barão (peso galo) ainda ecoam no esporte brasileiro. Por isso, não foi só Aldo que subiu naquele ringue, não foram as mais de 11 mil pessoas que acompanharam a disputa no Maracanãzinho, era o Brasil todo.





Durante 25 minutos, o Maracanãzinho tremou, vibrou, silenciou, mas nunca deixou de acreditar em seu conterrâneo. Cada golpe que entrava em seu oponente era uma vitória silenciosa. Cada golpe sofrido em sua face, em seu corpo, doía nos torcedores que fechavam os olhos para não ver o quanto sangrava o supercílio do lutador.

Os gritos da torcedora desesperada avisavam: "Cuidado. Levanta a guarda. Ele está muito machucado, acho que não está enxergando direito", falava desesperadamente a loira posicionada nas primeiras cadeiras do ginásio, sem saber que realmente ele não estava enxergando Chad direito, naquela altura da luta.

Ao acordar no domingo após a luta, o brasileiro escreveu em uma rede social: "Bom acordar como campeão e ter mantido o cinturão no Brasil! Obrigado ao apoio e pensamento positivo de vcs! #ocinturaoenosso". Foi o desabafo de um campeão, que terá muitas batalhas pela frente, mas que com certeza jamais esmorecerá perante a guerra.

"Sempre dei grandes shows no UFC, no Canadá já lutei para 55 mil. Aqui, com esse ginásio lotado, eu me sinto imbatível. Enquanto estiver em pé vou brigar até o fim. A sensação é a de dever cumprido, mantive o cinturão e ele vai continuar do meu lado, pois pretendo me aposentar invicto no UFC. Enquanto estiver aqui, pretendo ser sempre o campeão", finalizou Aldo, agora por nocaute.

Por: Mônica Garcia/ESPN
Foto: UFC

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