quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Rousey disseca Cris Cyborg: "Seus erros técnicos são básicos e terríveis"

Não importa onde vá, não importa o que faça, Ronda Rousey não escapa das perguntas sobre Cris Cyborg. Não seria no Brasil, país natal de Cristiane Justino, que a campeã dos pesos-galos femininos do UFC passaria incólume sobre o assunto. Após ministrar seminário no Instituto Reação, no Rio de Janeiro, a lutadora e atriz americana atendeu a imprensa local e, após elogiar a brasileira Bethe Correia mais uma vez e falar de sua vontade de voltar a lutar no país, seu desafeto voltou à tona, quando um repórter questionou se a ex-campeã peso-pena do Strikeforce e do Invicta FC era melhor do que todas as nove lutadoras que Rousey derrotou em sua curta carreira no MMA profissional.

Como sempre, Rousey foi direta e incisiva na resposta, e "dissecou" meticulosamente os motivos pelos quais discordava da declaração.

- Não concordo nem um pouco. Quando ela estava lutando (muay thai), faz algum tempo, ela foi derrubada cinco vezes na luta! Na verdade, para ser sincera, não fico muito impressionada com suas habilidades, é mais na sua força que ela se apóia. Quando ela enfrentou Gina (Carano), ela a puxou para a montada duas vezes, foram dois erros técnicos graves. Os erros técnicos que ela comete são absolutamente básicos e terríveis. A única razão que ela sobrevive a eles é por causa de sua força. As pessoas não percebem o quão forte eu sou; pergunte às garotas que enfrentei. Elas não estavam esperando isso. Só porque não pareço (forte), não significa que não tenho (força). Essa é a coisa que aprendi com o judô: máxima eficiência e esforço mínimo. Cyborg só faz força o tempo todo, e eu só faço força no momento perfeito. Seu estilo é o pior casamento contra mim. Ela não tem nenhuma sensação em seus socos, ela empurra seus socos, não consegue nocautear ninguém com um soco só, ela simplesmente as oprime. Com o meu ritmo, ninguém consegue me oprimir. O jeito como ela é no solo é absolutamente horrendo, e sua distância é absolutamente horrenda. A única coisa que ela tem é ritmo e poder, e eu tenho ritmo, precisão e poder - respondeu a campeã.

Rousey até hoje não teve a chance de comprovar suas opiniões acerca de Cyborg. A brasileira foi suspensa ao ser flagrada em exame antidoping no início de 2012, quando ambas estavam no Strikeforce; depois disso, as duas discordaram por anos sobre a categoria de peso em que deveriam lutar, e Cristiane abriu mão do UFC para assinar com o Invicta quando a organização se recusou a abrir uma categoria peso-pena (até 65,8kg), alegando que correria risco de saúde se descesse até 61,2kg, categoria de Rousey. Recentemente, porém, a curitibana mudou de ideia, iniciou uma dieta para descer ao peso-galo e foi se preparar na Tailândia. Ela deve fazer uma luta no novo peso e, se tiver sucesso, pode migrar para o Ultimate e, enfim, realizar o sonhado "tira-teima". A americana acha que Cyborg não será a mesma no novo peso.

- Acho que todo mundo tem alguma coisa e ela ainda seria uma grande competidora em 61,2kg. Mas acho que ela sabe que será muito mais difícil para ela esconder o doping e bater o peso em 61,2kg. É por isso que ela resistiu (a essa mudança) por tanto tempo, mas, quando ela viu que não tinha outras opções, começou a cortar peso. Ela ainda está fora da organização, foi para fora do país, aposto que está tentando seguir se dopando pelo máximo de tempo possível antes de entrar no UFC, mas não importa. Eu cresci lutando no judô e sabia que havia gente se dopando, mas nunca usei isso como desculpa para usar (doping). Sempre quis vencer apesar disso. (Sempre disse), "Você pode ter todas as vantagens do mundo sobre mim, pode ter fundos, pode usar todas as drogas do mundo que quiser, mas vou ser boa o suficiente para te derrotar apesar disso." A razão pela qual as pessoas se dopam é porque elas não têm autoconfiança. A razão pela qual aquela garota estava usando esteroides é porque aquela garota não acredita que o que ela tem é bom o suficiente, e isso vai estar em sua cabeça sempre. E ela está certa: o melhor que ela tem não é bom o bastante, mesmo com as drogas - detonou a campeã.

A popular opinião de que o reinado de Rousey não será validado a não ser que ela derrote Cyborg é causada pela facilidade com que a americana venceu todos os seus 10 combates na carreira. Suas lutas passaram do primeiro round apenas uma vez, e apenas Liz Carmouche, Miesha Tate e Sara McMann (por pouco) duraram mais do que um minuto contra ela. Mesmo assim, a campeã garante que há lutadoras que a ameaçariam no octógono, e listou novamente Bethe "Pitbull" entre elas.




- Estilos fazem as lutas. Para ser sincera, desde que comecei a assistir ao MMA, as duas coisas com que tenho que me preocupar para não perder é ou com um nocaute com um soco, ou com sofrer cortes numa luta. A pessoa que vi com melhor senso de distância e melhor timing, que teria que me preocupar mais em ser nocauteada, é Gina Carano. A pessoa com que teria que me preocupar mais em me cortar é a Cat Zingano. E acho que a lutadora mais completa agora é a Bethe Correia. Ela começou a lutar direto no MMA, seria a primeira pessoa que teria que enfrentar sem ter vindo de uma disciplina específica. E também, Holly Holm é uma campeã mundial de boxe e seria a lutadora que eu provavelmente teria que vencer por decisão.

Ronda Rousey voltou a afirmar que gostaria de enfrentar Bethe no Brasil, mas disse que ter a paraibana como adversária não seria uma condição para lutar no país. Ela declarou durante todo o dia que tem carinho pelo Brasil desde 2007, quando conquistou a medalha de ouro no judô nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro e a medalha de prata no Mundial, também na capital fluminense, e foi aplaudida fora de casa pela primeira vez.

- Eu adoraria lutar no Brasil por qualquer desculpa! Só acho que faria mais sentido se fosse contra uma lutadora brasileira. Mas, se o povo brasileiro quiser me ver lutar contra qualquer uma, eu enfrento qualquer uma aqui! Apenas quero lutar aqui. Mas acho que seria mais gentil com os fãs lutar contra alguém de seu país, para que eles pudessem torcer - concluiu.

Por: Combate
Foto: Divulgação

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