quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Pezão vibra com sua 4ª luta principal: "Sabem que não entro para brincar"

O UFC definitivamente aprecia o trabalho de Antônio Pezão. Do contrário, o peso-pesado brasileiro não ganharia tantas opotunidades de fazer a luta principal de um card. O duelo deste sábado, contra Andrei Arlovski, já seria especial por ser na casa dele, que nasceu em Brasília e morou na cidade até os 10 anos de idade. Mas também será a quarta vez, em seis combates, que Pezão é escalado para um evento principal na organização - as anteriores foram contra Travis Browne, Cain Velásquez e Mark Hunt. Ele próprio admitiu surpresa com a nova chance e explicou o porquê de ser tão empolgante para o Ultimate:

- Eu pedi para lutar nesse card, mas não imaginava que seria evento principal. Pedi só a luta, para mim não importava se seria a primeira luta da noite. Eu queria simplesmente lutar, é o que amo fazer. Mas graças a Deus o UFC me deu a oportunidade de fazer mais um evento principal. Eles sabem que sou um lutador que não entra para brincar, para levar a luta para a decisão. Tento dar sempre o meu melhor, independentemente de resultado, e agora vai ser mais uma - disse, em entrevista ao Combate.com.

Nem o fato de Pezão estar voltando de suspensão de nove meses após ter sido pego no exame antidoping por apresentar níveis elevados de testosterona tirou dele o prestígio para liderar o card de Brasília. O lutador, inclusive, quer passar uma borracha no caso. Na ocasião, época da luta contra Mark Hunt, o brasileiro acusou o Dr. Márcio Tannure, diretor médico da Comissão Atlética Brasileira de MMA (CABMMA), de ter lhe recomendado que aumentasse a dosagem do tratamento de reposição de testosterona (TRT) do qual fazia uso, o que teria sido a causa para o resultado positivo de doping. Tannure também deu sua versão, em que nega ser o médico pessoal de Pezão e diz que apenas repassou recomendação do profissional que atende o peso-pesado. O lutador segue com a opinião de que houve erro médico, mas não quer mais atrito e até elogia Tannure como pessoa:

- Não tenho nada contra o Tannure. Agora é como se eu não o conhecesse. Ele é uma pessoa muito gente boa. Jamais poderia dizer que ele é um mau caráter, que ninguém gosta dele. Eu estaria sendo falso dizendo isso. O Tannure ajuda todo mundo. Todo mundo gosta dele. Ele tem uma energia muito boa. Se você precisar dele de madrugada, ele vai na sua casa e te ajuda. Não faz por dinheiro, e sim por prazer. Mas infelizmente comigo aconteceu um erro. Foi triste, mas passou. Jamais ninguém vai me pegar falando mal do Tannure, de forma alguma, até mesmo porque não é por causa de um erro na parte médica que vou falar mal dele como pessoa.

Pezão comentou ainda a respeito da vontade de disputar o cinturão do UFC novamente - perdeu para o campeão Cain Velásquez em maio do ano passado -, e disse que espera estar credenciado com uma vitória sobre Arlovski neste sábado e mais um triunfo sobre outro grande nome do MMA. A seguir, veja a entrevista completa com Antônio Pezão:





Combate.com: Muita gente nem sabe que você é de Brasília. Conte-nos como é sua relação com a cidade.
Antônio Pezão: Nasci em Brasília e morei aqui até os 10 anos de idade. Depois minha família e eu fomos para a Paraíba. Mas tudo começou aqui, as raízes são daqui. Comecei a treinar caratê em Brasília e cheguei até a faixa marron. A fase mais difícil do ser humano é a juventude, onde você decide o que vai ser, e vivi essa parte toda na Paraíba. Também foi onde conheci minha esposa, onde minha primeira filha nasceu. Então, tenho um amor enorme pela Paraíba. Tenho Brasília no sangue e a Paraíba no coração.

E ainda tem muita gente que você conhece em Brasília?
Toda a família do meu pai mora em Brasília, e a gente nunca perdeu o contato. Também tenho um amigo de infância com quem mantive contato, fomos criados juntos até os meus 10 anos de idade. Tem muita gente de quem eu lembro.

Você já tinha feito algumas lutas principais no UFC, mas esta será a primeira no Brasil. O que muda? Como você está se sentindo?
Para mim é emocionante, um sentimento grandioso e uma honra muito grande poder lutar mais um evento principal na maior organização do mundo, que é o UFC, ainda mais em casa. Fiquei muito lisonjeado com essa oportunidade. Eu pedi para lutar nesse card, mas não imaginava que seria evento principal. Pedi só a luta, para mim não importava se seria a primeira luta da noite. Eu queria simplesmente lutar, é o que amo fazer. Mas graças a Deus o UFC me deu a oportunidade de fazer mais um evento principal. Eles sabem que sou um lutador que não entra para brincar, para levar a luta para a decisão. Tento dar sempre o meu melhor, independentemente de resultado, e agora vai ser mais uma. Como falei, amo o que faço. Treinei para o Arlovski da mesma forma que treinei para os outros, o Overeem, o Velásquez, o Browne. Treinei com a mesma intensidade, porque cada luta tem a sua dificuldade, e essa é mais uma. Vou lá para dar o meu melhor novamente. Estou muito feliz, amarradão. Pela primeira vez a torcida estará do meu lado. Sempre lutei com a torcida contra. Acho que só tive torcida ao meu lado na minha primeira luta amadora, lá na Paraíba. Depois disso só lutei contra a torcida. Então, está sendo ótimo para mim.

O Arlovski já foi campeão do UFC e tem nome no MMA. No retorno dele ao Ultimate, venceu numa decisão por pontos polêmica. O que acha do momento que ele vive?
O Arlovski é um atleta bem experiente, já teve altos e baixos, já foi campeão do Ultimate e também viveu momentos ruins. Voltou a ter momentos bons, tanto que teve mais uma oportunidade no UFC. Foi bastante criticado na luta contra o Brendan Schaub, pois não foi como todos esperavam. Estou esperando um Arlovski motivado e com sede de vitória, querendo dar a volta por cima e apagar a primeira luta do retorno dele. É como se eu estivesse encarando um Arlovski campeão do UFC. Treinei para isso, estou bastante focado e muito bem física e mentalmente. Se Deus quiser vai ser um lutão, e o público só tem a ganhar com isso.
 

Como foi esse período de nove meses suspenso por doping? E como você interpreta tudo o que aconteceu? Foi um mal-entendido?
No começo foi difícil para mim, foi bastante constrangedor. Tive a felicidade de fazer uma grande luta contra o Mark Hunt, um grande lutador, e na Austrália, ou seja, contra a torcida toda (Hunt é neozelandês). A gente conseguiu fazer um grande espetáculo. E logo depois aconteceu aquilo. Tenho certeza de que foi um erro médico, mas passou, é página virada. O que importa agora é o Arlovski, é o meu retorno. Estou com muita vontade. Esse tempo teve o lado ruim, claro, que foi a suspensão, e o lado positivo, pois tive tempo para curar algumas lesões. Sou peso-pesado e fiz quatro lutas em 12 meses. Estou muito motivado e querendo fazer uma lutaça. Se eu pudesse, faria uma luta que nem fiz contra o Mark Hunt. Quero escrever meu nome aqui em Brasília, por ser o primeiro UFC aqui e na véspera do meu aniversário. Vou dar o meu melhor.

Depois de ter sido suspenso por nove meses, você voltar já numa luta principal na sua casa mostra que o UFC meio que entendeu o seu lado?
Não sei se entenderam. É difícil eu falar isso. Eu seria muito burro a ponto de fazer uma coisa errada, porque já estavam me testando antes da luta. Eu seria muito idiota a ponto de cometer um erro desses. Não tinha um porquê. Até mesmo que, se tivesse que fazer algo errado, faria numa luta por cinturão, com importância ainda maior. Eu estava sendo testado periodicamente por ter feito o pedido do TRT. Não sei se eles entenderam. O que sei é que eles sabem que eu não entro para brincar. Entro para lutar e dar o meu melhor. É o que vou fazer mais uma vez. Vou dar o meu melhor agora, e quem sabe mais para frente eu peço outra luta e eles me dão outro evento principal? É uma honra muito grande. Esta é minha sexta luta no UFC, sendo o quarto evento principal da noite. É maravilhoso.

Teve algum desdobramento judicial essa questão do doping?
Não. No começo eu pensei muito e procurei alguns advogados. É uma coisa que eu botaria para a frente, mas conversei com meu empresário, Alex Davis, com amigos, com meus pais, e a gente achou melhor botar um ponto final nisso, porque poderia vir a me prejudicar mais ainda. A gente resolveu pensar para a frente. E Deus está me dando mais uma grande luta, um evento principal na minha cidade.

E a sua relação com o Dr. Márcio Tannure? Não existe mais?
Não tenho nada contra o Tannure. Agora é como se eu não o conhecesse. Ele é uma pessoa muito gente boa. Jamais poderia dizer que ele é um mau caráter, que ninguém gosta dele. Eu estaria sendo falso dizendo isso. O Tannure ajuda todo mundo. Todo mundo gosta dele. Ele tem uma energia muito boa. Se você precisar dele de madrugada, ele vai na sua casa e te ajuda. Não faz por dinheiro, e sim por prazer. Mas infelizmente comigo aconteceu um erro. Foi triste, mas passou. Jamais ninguém vai me pegar falando mal do Tannure, de forma alguma, até mesmo porque não é por causa de um erro na parte médica que vou falar mal dele como pessoa. Vida que segue. Ele vive a vida dele, e vou viver a minha. É como se a gente nunca tivesse se conhecido. Não tem falar mal de uma pessoa que você nunca conheceu na sua vida. Hoje estou vendo dessa maneira.

Você disputou cinturão recentemente? Como você se enxerga hoje em relação a uma outra oportunidade? Ainda pensa muito nisso ou é algo que você não busca tanto mais? E acha que está perto do título?
É meu objetivo. O objetivo maior de todo mundo acho que é o cinturão, chegar ao ponto máximo. Creio que, ganhando do Arlovski, eles vão me dar uma grande luta. Se vencer de novo, creio que não me dar outra oportunidade pelo cinturão. Hoje sou o número 4 do ranking peso-pesado. Tenho na minha frente o Velásquez (campeão), o Cigano (2) e o Werdum (1), que vai lutar pelo cinturão (Travis Browne também está à sua frente, em terceiro). Então, não tem muita gente. Está afunilando. Acredito que, fazendo uma boa luta, vão me dar um grande nome para eu poder me candidatar ao cinturão novamente.

Finalizando: como você vê o duelo entre o Cain Velásquez e o Fabricio Werdum? Acha que o Brasil tem chance de recuperar o cinturão dos pesados?
Ah, tem. Em toda luta existe chance. Pode ser 1%, mas existe a chance. O Werdum provou estar apto a disputar o cinturão. Ele é um lutador completo hoje, vem muito bem em pé. Para mim, ele tem o melhor jiu-jítsu do UFC. Então, tem chance, sim. Não é uma luta fácil. O Cain Velásquez tem uma grande equipe, que monta sempre uma estratégia muito boa. Eles jogam sempre certinho e vão querer dar uma atrapalhada no jogo do Werdum. Mas o Werdum, com aquele jeitão brincalhão... Ele se embola, vai para o chão... Tenho certeza que, se o Velásquez bobear no chão, o Werdum vai pegar. Em pé ele também está bem, com boa movimentação e uma joelhada muito perigosa. Acredito que ele tem chance.

O "UFC: Pezão x Arlovski" será realizado em Brasília, na noite deste sábado, no Ginásio Nilson Nelson. O Combate transmite o evento ao vivo a partir das 18h45 (horário de Brasília)

UFC: Pezão x Arlovski
13 de setembro de 2014, em Brasília (DF)
 
CARD PRINCIPAL
 

Peso-pesado: Antônio Pezão x Andrei Arlovski
Peso-leve: Gleison Tibau x Piotr Hallmann
Peso-leve: Léo Santos x Efrain Escudero
Peso-meio-médio: Santiago Ponzinibbio x Wendell Negão
Peso-galo: Iuri Marajó x Russell Doane
Peso-galo: Jessica Andrade x Larissa Pacheco
 
CARD PRELIMINAR

Peso-pena: Godofredo Pepey x Dashon Johnson
Peso-meio-médio: Igor Araújo x George Sullivan
Peso-leve: Francisco Massaranduba x Leandro Buscapé
Peso-meio-médio: Paulo Thiago x Sean Spencer
Peso-galo: Rani Yahya x Johnny Bedford

Por: Ivan Raupp/Combate
Foto: UFC

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