domingo, 29 de junho de 2014

Belfort desabafa sobre polêmica com TRT: “Nunca fiz nada ilegal ou errado”

De passagem por San Antonio, Texas, nos EUA, onde participou do córner do pupilo Cézar Mutante na madrugada deste sábado, Vitor Belfort conversou com a equipe do Combate.com e fez um desabafo sobre o atual momento de sua carreira.  Vencedor do prêmio de melhor nocaute do ano de 2013 do “MMA Awards”, o brasileiro ganhou seis das oito lutas que disputou no UFC desde 2011, sendo que as únicas derrotas sofridas foram em disputas de cinturão contra Anderson Silva e Jon Jones. Confirmado pelo Ultimate como próximo desafiante ao título dos médios em dezembro do ano passado, ele chegou a ser anunciado como adversário de Chris Weidman no evento de número 173, que aconteceria em 24 de maio, mas viu a oportunidade ir por água abaixo depois que a Comissão Atlética do Estado de Nevada (NSAC) proibiu as isenções para Terapia de Reposição de Testosterona, em fevereiro. A fim de readaptar o organismo às novas exigências do órgão regulador, o “Fenômeno”, que fazia uso da terapia por questões de saúde, precisou se ausentar da competição, sendo substituído por Lyoto Machida, em duelo que acabou transferido para o card do UFC 175, no dia 5 de julho.

Paralelamente aos acontecimentos, Vitor foi submetido a um exame antidoping surpresa solicitado pela NSAC no dia 07 de fevereiro, em Las Vegas. Como havia feito o exame de forma espontânea e ainda não tinha dado entrada na licença para lutar no estado de Nevada, a divulgação dos resultados era opcional. Porém, no mês passado, Wanderlei Silva se recusou a passar por um teste antidoping solicitado pela mesma entidade, por ocasião de sua luta contra Chael Sonnen no UFC 175. Com Wand fora da luta, o Ultimate anunciou que Vitor seria o novo adversário de Chael Sonnen. O brasileiro, então, deu entrada na obtenção da licença junto à comissão e viu seu nome voltar aos holofotes depois que o órgão marcou a data da audiência para ouvi-lo. Com o objetivo de findar as especulações e se antecipar à divulgação dos resultados do teste pela NSAC, o lutador publicou em suas redes sociais um compilado dos resultados dos exames médicos a que se submeteu e assumiu que, no teste de fevereiro, seus níveis de testosterona estavam acima do permitido.





- O que eu posso explicar é o que foi revelado. Na verdade, eu fazia um tratamento hormonal e eles me fizeram o teste antidoping como se eu fosse qualquer outra pessoa. Eu tinha tomado a injeção um dia antes, estava em Las Vegas. Geralmente, eu tomava a dose dos meus hormônios ao longo da semana, mas nesse dia eu apliquei a dose de uma vez só. Então, naquele dia do exame, o nível dos hormônios estava um pouquinho acima, mas nada absurdo. Era 1.100 o limite, o meu estava 1.200. Essa coisa, essa polêmica toda se deu porque eles tinham banido as TUEs (Isenção de Utilização Terapêutica). Por causa disso, eu não pude lutar em maio, aí a luta foi cancelada. Foi quando colocaram o Lyoto, depois mudaram o meu adversário e o card e foi aquela confusão toda. Eu não tenho controle sobre isso.  Agora é aguardar e ver quais serão as cenas dos próximos capítulos - declarou.

Questionado sobre a enxurrada de críticas que passou a receber desde que assumiu fazer uso de TRT, o brasileiro acredita que é feito de vidraça, pois, dos lutadores que fazem uso da terapia, é o que obteve os desempenhos mais expressivos dentro do octógono:

- Vão criticar quem? Os caras que estão perdendo? Ninguém chuta cachorro morto. Na vida só se critica as pessoas que estão fazendo sucesso. É aquele velho ditado, enquanto o cara é vivo, as pessoas não dão valor, mas depois que ele morre ele vira lenda, nome de rua e etc. Infelizmente tudo o que é negativo tem mais destaque. Se amanhã os EUA fizerem um acordo pacífico com o Irã e decidirem erradicar a fome na África, isso não vai fazer tanto sucesso quando a notícia de que haverá uma guerra. Infelizmente, as pessoas tendem a gostar da crítica e, geralmente, quem está em evidência é criticado. A minha vida não depende dos críticos, acho que ela é muito acima disso. Eu não estou lutando e ganhando para eles e sim para as pessoas que estão do meu lado. Então eu fico tranquilo, faço o meu melhor. Não sou perfeito, mas joguei aberto e mostrei todos os meus exames, não tem nada demais ali. Infelizmente quem perde dá desculpa, diz que foi por isso ou por aquilo, mas como é que você vai falar que o TRT ensina a dar os nocautes brilhantes que eu tive em 2013? Pelo menos agora vai ser bom, porque eles não vão ter mais desculpa. Eles (adversários) vão estar em vantagem e eu em desvantagem, então agora inverteu a situação e vamos ver o que vai acontecer - disse, completando logo em seguida:

- Outro dia me fizeram a pergunta: “Vitor, agora você está limpo?”. Eu nunca estive sujo. Então, na realidade, eu nunca fiz nada de ilegal, nada de errado, nunca fugi de teste, cumpri com os exames, fiz até aquela carta, fiz a minha aplicação para a licença. Eu não tinha licença em Nevada, mas estava aplicando para obtê-la. Eu fui sempre muito honesto, muito correto, não só comigo, mas com a minha família, meus treinadores, fãs e o próprio UFC, que ficou do meu lado. Eles sabem da minha índole e do meu caráter. Hoje em dia, a pressão e a dificuldade só me fazem crescer. É dessa maneira que eu vivo a minha vida. O arco-íris só sai depois de uma grande tempestade. Então se tem luta é porque haverá vitória. Na minha vida eu penso assim, então a gente tem que olhar para o dia-a-dia como se fosse o último dia da nossa vida. Às vezes, a gente faz de um quebra-mola uma grande montanha. O segredo da minha vida é fazer da montanha um pequeno quebra-mola e eu vou em busca da vitória, porque o que Deus me deu, ninguém vai tirar.

O “Fenômeno” também falou sobre as declarações de que o UFC teria lhe informado que ele continua sendo o próximo desafiante ao cinturão dos médios e que enfrentaria o vencedor de Weidman x Machida. A informação foi dada por sua esposa, Joana Prado, ao “UFC Tonight”, programa de TV oficial do Ultimate, no início da semana:

- Confirmar isso é difícil, até porque a única coisa que eu posso confirmar é que eu decidi ser feliz hoje e sempre. Mas assim, é o que todo mundo já falou, é o que todo mundo quer e é o que eu mereci, o que eu conquistei.  É o que o meu pai me ensinou: aquilo que você conquista ninguém tira de você. Aquilo que te dão podem tomar, mas o que é conquistado, ninguém tira. Ninguém tira o que eu conquistei, Deus é testemunha. Porém,  depois desse ano de 2013 e depois de tudo o que aconteceu, eu só foco naquilo que eu tenho controle e não perco tempo tentando controlar o resto. Isso (de ser o próximo desafiante do vencedor de Weidman x Machida) está fora do meu controle, então eu nem penso. Agora, o que está ao meu controle, no que depender de mim, vou continuar fazendo. Não se preocupem, porque está vindo aí uma grande surpresa para todos aqueles críticos que não conseguem ser felizes com o que têm.

Vitor ainda explicou que por enquanto não sabe se vai comparecer pessoalmente à audiência da NSAC que deve analisar, no próximo dia 23 de julho, em Las Vegas, o seu pedido de licenciamento no estado:

- Eu não sei ainda. Estou aguardando. Todos os exames foram feitos, agora é aguardar quando vai ser a minha próxima luta e onde vai ser…Eu quero poder tirar a minha licença em Nevada, até porque estou cumprindo com tudo, estou disponível a eles para o que precisarem . Agora é aguardar.

Enquanto não obtém a licença para lutar em Nevada, Belfort continua treinando normalmente todos os dias. Se for confirmado como o próximo desafiante ao título da divisão, ele diz não ter preferência se vai enfrentar Machida ou Weidman:

- Que vença o melhor e que lute comigo! Mas não vai ser só marcar a luta. Eles (UFC) têm que me dar tempo, porque eu não vou mais ficar cobrindo buraco, não. Eu quero o meu tempo para treinar, para me dedicar. Eu cheguei numa idade e hoje eu mereço esse respeito. Sempre me coloquei à disposição do UFC. O campeão ganhando, descanse, tire férias e vá para o camp. Eu já vou estar no camp há um tempo, meu corpo não pode parar. Nessa idade eu tenho que dar continuidade sempre. Estou aprendendo novas técnicas, estou me divertindo e andando com o Cézar Mutante e o Gilbert Durinho e eles ficam me estimulando a aprender coisas novas e isso me faz me sentir como um garoto - finaliza.

Por: Evelyn Rodrigues e Ana Hissa/Combate
Foto: Evelyn Rodrigues e UFC

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