terça-feira, 8 de abril de 2014

Lyoto não vê vantagem em luta adiada: 'Primeira data era melhor'

Chris Weidman precisou passar por cirurgias nos dois joelhos, e a luta contra Lyoto Machida saiu do card do UFC 173, no dia 31 de maio, e foi transferida para o UFC 175, no dia 5 de julho. Com isso, o brasileiro, que fora chamado para substituir Vitor Belfort, ganhou mais tempo para treinar e ainda vai contar com o tempo menor de preparação do rival. Entretanto, Lyoto acredita que não terá vantagem no duelo.

- Pra mim a primeira data era melhor, porque eu já vinha treinando após a luta com o Mousasi, passei um período descansando de 15 dias e já estava praticamente entrando em camp, teria nove ou dez semanas de treinamento, que era o suficiente para mim - disse Lyoto ao Combate.com.

O próximo desafiante do peso-médio atendeu a reportagem em Los Angeles (EUA), sede da Black House, local onde está fazendo a sua preparação para o duelo contra Chris Weidman. Lyoto também comentou sobre a declaração de Anderson Silva, que afirmou que o enfrentaria caso fosse o desejo do Ultimate. Confira o bate-papo com o ex-campeão.





COMBATE.COM: No que esse adiamento influenciou o seu planejamento para a luta? Foi melhor para você, já que tinha sido chamado com curto sobreaviso?

Lyoto Machida: Não, pra mim a primeira data era melhor, porque eu já vinha treinando após a luta com o
Mousasi, passei um período descansando de 15 dias e já estava praticamente entrando em camp, teria nove ou dez semanas de treinamento, que era o suficiente para mim, mas as coisas aconteceram dessa forma, tenho que aceitar tudo isso e olhar com outros olhos, como eu estou olhando. Terei mais tempo realmente para treinar e, de alguma forma, vou tirar proveito disso.

Você dá uma segurada? Já estava num ritmo intenso de treino e agora dá uma parada? Ou continua direto?

Não continuo direto, mas não é uma parada, eu dou uma diminuída na intensidade do treinamento. Diminui a quantidade de treinamento para que eu possa ter o rendimento da performance no dia certo.

Você espera que seja uma vantagem que ele esteja com os joelhos daquele jeito? Acha que ele de repente ainda vai estar pisando em ovos?

Acho que não, o Weidman é um cara superinteligente pra aceitar essa luta no tempo certo. Acho que um campeão como ele não aceitaria uma situação dessas de desvantagem. Acho que não vai interferir em nada, é uma cirurgia simples, e acredito que vai ser de igual pra igual.

Você não fica receoso de que possa ser adiado de novo porque não deu tempo de recuperação?

Acredito que não. Acho que se ele se manifestou dessa forma, tudo vai acontecer conforme isso.

Como estão sendo os treinos? Está legal o clima?

O treinamento aqui é muito bom, venho desenvolvendo aqui e na Kings, com o Rafael Cordeiro, então o clima é o melhor possível. Grandes sparrings, grandes técnicos, e isso tem ajudado muito no desenvolvimento.

Ao mesmo tempo, estão o Werdum e o Rafael dos Anjos lutando por chances de cinturão. Isso é bom, aumenta o nível de intensidade nos treinos?

O importante é isso, todo mundo tem luta, todo mundo tem trabalho, então a ajuda é simultânea, todo mundo faz o que pode pelo colega, e isso é bom porque o treinamento cresce, evolui, as pessoas se ajudam. Esse é o princípio dos treinos na Kings e aqui na Black House.

Qual foi a história por trás daquela foto que você postou no Instagram com vocês embaixo da mesa em um terremoto?

Aquilo foi o seguinte: teve um terremoto aqui na semana passada, uma semana e meia atrás, e a casa começou a tremer de repente, e a gente botou todo mundo embaixo da mesa, filho, mulher, porque dizem que o princípio de defesa no terremoto é esse: se colocar embaixo de um lugar que possa ser seguro e na hora o que encontrei foi aquela mesa ali (risos), então coloquei todo mundo embaixo. A galera falou, "Mas puxa, foi embaixo da mesa de mármore! É mais perigoso ainda!" (risos). Mas aquela mesa ali é a mesa que tem o fogão e toda a estrutura ali montada, então a gente viu que era a mesa que poderia ser a mais segura, pelo menos pro primeiro impacto!

Você ficou assustado? Foi o primeiro terremoto que viu?

Não, já estive num terremoto no Japão, realmente foi muito maior que esse, mas lógico que a gente fica assustado, até porque tem a profecia de Nostradamus, que diz que vai ter um "big" terremoto aqui, então a gente sempre fica na expectativa. Mas não foi dessa vez, graças a Deus. A gente espera que não seja tão cedo.

As crianças ficaram assustadas?

Não, elas não entenderam muito, porque são crianças, não entendem muito, mas a gente sempre instrui eles para que entendam o que está acontecendo.

Deu saudades do Brasil?

Olha, sim! Lógico, a gente pensa, no Brasil não tem essas coisas, mas cada lugar tem seus problemas. Tem que aprender a conviver com isso aqui.

Voltando a falar um pouco da luta, o que pode dizer sobre o Weidman que você tem que tomar mais cuidado e onde vê a brecha pra entrar com seu jogo?

Acho que o cuidado que eu tenho que ter com o Weidman é que ele é um lutador de MMA. Lógico que ele deve ter sua estratégia de querer me derrubar e tudo, mas é um cara perigoso também na luta em pé, chuta, soca. E acho isso, que minha estratégia, vou montar em cima da luta. Ele é um cara que pode lutar em qualquer aspecto, é perigoso em qualquer território.

A luta seria no aniversário de cinco anos da conquista do seu título dos pesos-meio-pesados, contra o Rashad Evans. Agora mudou um pouco, mas isso está na sua cabeça também? Completando cinco anos, você quer ter aquela sensação de volta? Pensa naquilo de novo?

Penso, mas de uma maneira diferente hoje. Muita coisa aconteceu, cinco anos se passaram, e nesses cinco anos, muitas histórias aconteceram - vitórias, derrotas. Acredito muito que é um outro momento. A forma que eu enxergo hoje é diferente da forma que eu enxergava cinco anos atrás. Lógico que o título era muito importante, mas era uma consequência do meu trabalho. Quero fazer meu trabalho bem feito para que tudo possa ocorrer dentro do planejado. Você precisa fazer um bom trabalho e, consequentemente, ter uma vitória grandiosa.

Se vencer, vai estar esperando provavelmente o Vitor Belfort. Você já quis essa luta, já pediu essa luta anteriormente. Claro que você não está pensando nisso agora, mas acha que ele vai ter condições de voltar em boas condições mesmo sem o tratamento de TRT dele?

Acho que sim, o Vitor fez grandes lutas aí, talvez sem o TRT. Ele tem habilidade, e acho que isso não vai ser um problema para ele.

Outro cara que falou de você recentemente foi o Anderson Silva, que admitiu agora que, como você já disse que não teria problema em enfrentá-lo, ele não teria problema também em te enfrentar, se você tivesse que cruzar o caminho dele pelo cinturão. Acha que isso é bom para o esporte?

É bom para o esporte. Essa é uma luta que eu gostaria de evitar, porque conheço bem o Anderson e tudo, mas como profissional, a gente não pode pensar dessa forma. Temos que pensar que podemos nos enfrentar mesmo, pode ser um adversário no futuro, e que as coisas fiquem dentro do ringue só.

Você pôde participar do camp do Glover Teixera para o Jon Jones?

Participei, passei uma semana lá em Miami no camp do Glover Teixeira. Acredito que o Glover é um cara que está cheio de disposição. A gente sabe que hoje o Jones está com um nível técnico muito alto, mas o Glover vem de muitas vitórias consecutivas e acho que o cara que tem mais chances contra o Jones agora é o Glover. Acredito no Glover.

Qual foi a mensagem que você passou, sobre o que ele precisa focar para essa luta?

Falei para ele continuar no treinamento que ele acredita. Ele é um cara que tem um vigor físico acima do normal, um cara que luta cinco rounds facilmente, tecnicamente é um cara muito forte. Acho que ele tem que acreditar no trabalho que sempre fez e partir pra dentro.

Você vai estar em Baltimore para assistir à luta?

Infelizmente não vou poder estar, acho que vou ter um compromisso de patrocinadores no mesmo dia, então não vai ser possível, mas meu coração vai estar lá gritando por ele.

Por: Adriano Albuquerque/Combate
Foto: Adriano Albuquerque

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