quinta-feira, 3 de abril de 2014

Com preparação física dedicada, Patolino vê evolução no Ultimate

William Patolino foi a maior sensação da segunda temporada do The Ultimate Fighter Brasil, mas, depois de perder a final do torneio para Léo Santos, em junho do ano passado, ouviu críticas de que havia cansado, "morrido no gás" na luta. Seis meses depois, o lutador fluminense estava de volta ao octógono do UFC, contra o americano Bobby Voelker, e mostrou outra disposição: dominou o adversário por três rounds, mantendo praticamente o mesmo ritmo de luta a caminho de uma vitória por decisão unânime dos juízes.

A evolução se deve à adoção de um trabalho mais dedicado e profissional na preparação do atleta para os combates. Patolino passou a fazer acompanhamento ortomolecular e suplementação diretamente com o Dr. Hélio Ventura, que já trabalhava com seu algoz, Léo Santos, e campeões e ex-campeões do UFC como José Aldo, Renan Barão e Junior Cigano. A este trabalho, incorporou a preparação física com seu companheiro de equipe Raphael Campos e o trabalho de prevenção de lesões com o fisioterapeuta Eduardo Monnerat. O grupo está mantido para o camp visando o UFC: Brown x Silva, em 10 de maio, em Cincinnati. William Patolino enfrenta Neil Magny no card principal.

- Hoje em dia, o atleta de alta performance tem que ter uma pirâmide: a preparação física, a suplementação e a fisioterapia, porque o atleta sempre tem lesão e precisa fazer a manutenção. Vi essa necessidade no Patolino; lutando no UFC, ele precisa disso de uma forma padrão, e agora ele faz esse trabalho com muita assiduidade, o que faz uma enorme diferença - contou seu técnico principal, Pedro Silveira.





Foi Silveira, que trabalha com o Dr. Ventura desde que tinha 16 anos de idade, quem levou Patolino ao médico, que já dava orientações à distância, mas passou a acompanhar o peso-meio-médio diretamente em setembro. Segundo Ventura, o processo de perda de peso influencia bastante no desempenho do lutador no dia da luta.

- O objetivo sempre é performance e adequação à categoria de peso com a melhor composição corporal possível (baixo percentual de gordura). Sempre colocamos nossos atletas com um peso basal superior ao da categoria para que, através de técnicas de desidratação e reidratação, possamos colocá-los mais "fortes" que os seus adversários. O quanto perder e recuperar depende muito do atleta, ainda estamos pegando muito leve com o Patolino - disse Ventura ao Combate.com, por e-mail.

Põe leve nisso. Ao chegar em Las Vegas, cinco dias antes da luta, Patolino já estava dentro dos limites de sua categoria. O combate aconteceu na semana de Natal, e o peso-meio-médio pôde desfrutar da ceia promovida pelo UFC à vontade, enquanto outros colegas sofriam para bater o peso.

- Na quarta-feira, eu estava pesando 76kg. Teve ceia de Natal e eu comi frango com macarrão. Na quinta-feira, subi à balança na pré-pesagem e estava pesando 76,5kg, e na sexta, dia da pesagem oficial, estava pesando 76,8kg. Estava muito tranquilo com meu peso e isso me ajudou bastante. Nas outras lutas passadas, eu chegava na semana da luta com 80kg ou 83kg. Batia o peso tranquilo, mas não tanto quanto desta vez. No dia da pesagem, estava um quilo acima do peso. Desta vez, estava abaixo, mas me senti bem mais forte e confiante - relembra o lutador.

Que ele não se acostume muito com toda essa tranquilidade, porém: Ventura e Silveira admitem que, para o futuro, o objetivo é chegar mais forte - leia-se: com mais peso para perder na semana da luta e recuperar para o combate.

- Ele é um atleta muito novo, só tem 22 anos. À medida que ele for crescendo no evento, a gente vai ter grandes oponentes, que vão chegar muito fortes, com mínimo por cento de gordura, então vamos ter que trabalhar com suplementação, mas mediante ao tempo, as coisas vão acontecendo, vamos sentir a necessidade de deixá-lo mais rápido, mais leve, mais veloz - explicou Silveira.

Dupla evita crise

O Dr. Hélio Ventura dita o planejamento da preparação de William Patolino: a cada semana, ele tem uma meta de peso e deve fazer uma alimentação específica. O trabalho do preparador físico Raphael Campos e do fisioterapeuta Eduardo Monnerat segue essa linha e tenta manter o lutador "na ponta dos cascos" durante todo o processo. Durante o camp de treinos, Campos faz uma periodização: aos poucos, passa da musculação simples para o trabalho específico com movimentos, tanto no levantamento de peso quanto no exercício funcional, que sejam mais "reais" para a luta. Esses movimentos ajudam na prevenção de lesões feita por Monnerat, que troca informações diariamente com Campos sobre como o peso-meio-médio está se comportando.

Na preparação para o combate contra Voelker, uma situação que poderia forçar o cancelamento da luta exigiu o trabalho em equipe dos dois: a cerca de três semanas do evento, Patolino lesionou o ombro esquerdo durante um treino de solo. Segundo o próprio, sentia muita dor e não conseguia treinar. Campos, que conhece o lutador fluminense desde que este chegou à Academia Pejor, com 13 anos de idade, comunicou a Monnerat.

- Ele levou uma chave de braço num treinamento, que provocou um desalinhamento na articulação dele, e as articulações precisam estar em perfeita congruência. A gente foi trabalhando, ajustando, mobilizando essa articulação para que ela voltasse ao seu devido lugar e ele pudesse lutar sem dor - afirmou o fisioterapeuta.

Campos passou a trabalhar preventivamente o grupamento muscular em que estava localizada a lesão, enquanto trabalhava normalmente as outras áreas. Aos poucos, Patolino foi sentindo uma dor "suportável" no decorrer dos treinos e se recuperando. Apesar de dizer que não estava 100%, o atleta não demonstrou em nenhum momento da semana que estava com o ombro dolorido e, tomado pela adrenalina do momento, não sentiu a lesão durante a luta. Segundo Monnerat, o ponto vital foi determinar a diferença entre uma dor e um incômodo.

- Uma coisa é uma dor que vai impossibilitar o atleta de lutar, outra coisa é o incômodo numa determinada articulação, mas que ele consegue fazer naturalmente os movimentos, está motivado e consegue lutar. Se percebemos que não há condição, ele não vai lutar. O corpo fala quando tem uma lesão. A postura fala muito. Você inconscientemente começa a andar de lado, flexionar muito o corpo... Você vai defender a área lesionada. A gente olha para o atleta, conversa com ele, mas é também um trabalho de observação - explicou.

O resultado do trabalho em equipe foi bastante comemorado pelo grupo. Para Hélio Ventura, a performance contra Voelker foi um "massacre". Patolino admite que se sentiu mais forte e explosivo. Pedro Silveira também viu evolução, e espera mais melhoras para o combate com Neil Magny.

- É uma coisa progressiva. A gente já viu uma grande melhora. A performance do Patolino foi maravilhosa, ele lutou com muita tranquilidade e disposição, muito gás. Foi nítido ali que tinha alguma coisa diferente, e a diferença foi essa, o somatório das coisas, que fez com que ele entrasse com toda a pressão e volume. E em time que está ganhando, não se mexe - concluiu o treinador.

Por: Adriano Albuquerque/Combate
Foto: UFC e Adriano Albuquerque

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