quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Do Bronx reclama de críticas sem base e dispara: 'Só penso no nocaute'

O paulista Charles do Bronx tem a fala mansa e o jeito tranquilo de se expressar, mas se engana quem pensa que o peso-pena não tem contundência em suas palavras. Logo após sua chegada a Jaraguá do Sul-SC, onde enfrenta, no próximo sábado, o inglês Andy Ogle pelo card principal do "UFC: Machida x Mousasi", o lutador declarou que espera que o rival sinta a pressão da torcida como ele sentiu nos cinco anos em que lutou fora do Brasil:

- Teve vezes que lutei no Brasil, mas na casa do oponente, e entrei sendo vaiado e xingado. Mas se você está focado não muda muita coisa. Mas estou traballhando muito a minha cabeça, porque UFC é outro mundo, mesmo sendo no Brasil. Eu sei que vou ser aplaudido quando entrar, e ele sabe que vai ser vaiado, e vai sentir a diferença. Ele pegou dez horas de voo. Eu demorei mais tempo na van vindo para o hotel do que no avião. Isso, querendo ou não, afeta. A torcida mexe também muito com os caras, e quando gritarem "Uh! Vai morrer!" já na pesagem ele vai sentir. Mas eu quero só manter meu foco no que preciso fazer e não me deixar levar para a torcida. Comemoração, só na hora da vitória. Eu estou indo para uma guerra. Depois que me recuperei da lesão, eu disse que no meu próximo card, não importa contra quem fosse, eu treinaria para uma guerra, e agora cheguei ao campo de guerra - disse ao Combate.com.

Do Bronx não esconde o ressentimento pelas críticas que sofreu em suas duas últimas lutas, que acabaram em derrotas para Frankie Edgar e Cub Swanson. Para o lutador, os brasileiros criticam seus atletas sem ao menos procurar saber o que acontece antes das lutas.

- Todo mundo disse que a luta contra o Frankie Edgar foi uma grande luta. Foi, mas eu perdi. Mas o próprio Frankie disse antes que eu não ia passar do primeiro round, que não aguentava pancada. Só no terceiro round eu sofri três knockdowns seguidos, que me deixaram lento, mas eu não parei de andar para a frente, e se for olhar depois, eu saí mais inteiro que ele da luta. Contra o Swanson, por ter me lesionado, a cabeça não estar boa e aquele soco dele ter entrado e pegado, muita gente criticou sem saber o que aconteceu. Eu não sinto muito porque não fico mexendo muito nisso. Mas você se dedica três meses para uma luta, perdendo peso, sofrendo, treinando, se machucando, longe de família. Vou casar dia 15 de março, e minha noiva, minha mãe e a mãe dela estão cuidando de tudo. Eu nem sei o que está acontecendo. Vou dar um exemplo do que acontece: contra o Swanson, na semana da luta eu estourei o ligamento do joelho, e não disse nada para ninguém. Só fazia sauna, não conseguia treinar. Faltando 15 minutos para entrar para a luta, no aquecimento, fazendo uma posição de jiu-jítsu, estourou mais ainda o local. Fui para o octógono sendo carregado até a hora em que o Burt Watson disse que iam começar a filmar. Meu treinador me disse para a partir dali andar como homem, e eu andei como se não tivesse nada. Lutei e perdi, e a própria torcida brasileira vai lá e critica sem saber de nada do que eu passei. Mas o próprio manager do Swanson, que estava lá e viu como foi, é que me defendeu e disse que eu entrei carregado para a luta com o joelho estourado. Muita gente do Brasil critica sem nem perguntar nada.





Com quatro quilos acima do limite dos 66kg da categoria peso-pena, o brasileiro garante que seu treino foi voltado para a trocação, e revela que já não via a hora de lutar no Brasil novamente.

- Minha preparação foi boa como sempre, a única diferença foi ter feito todo o meu treinamento no Brasil ao invés de ir para os EUA para treinar com o Macaco. Sei que o meu adversário trabalha bem o wrestling, e por isso trabalhei muito a trocação e defesa de queda e estou muito bem. Também estou feliz por lutar em Jaraguá depois de cinco anos lutando no exterior. Pouca gente lembra, mas aqui foi o último lugar na qual eu lutei antes de começar a lutar fora do Brasil, no GP do Warriors. Faltam apenas quatro quilos para bater o peso e estou muito tranquilo. Eu já estava feliz de voltar a lutar no Brasil de novo, mesmo sem saber quem seria o meu adversário. Estava na última luta do card preliminar, e por uma infelicidade do Thiago Tavares, que acabou se machucando, a minha luta pulou para o card principal. Agora é cair pra dentro e sair com a vitória. Tudo tem seu tempo e sua hora. Eu sonhava lutar lá fora, acabei ficando cinco anos sem lutar no Brasil, e agora estava querendo voltar a lutar aqui. Pedi duas vezes para lutar no Brasil após a volta do UFC para cá, e eles negaram. Agora chegou a hora, e justo quando venho de duas derrotas seguidas. Tinha que ser agora mesmo.

Perguntado sobre como espera que Ogle suba ao octógono para enfrentá-lo, o brasileiro disse acreditar que o estilo do seu rival é previsível, e garantiu estar preparado para ele.

- Meus treinadores cobram muito para que eu veja o que o adversário tem de melhor, mas eu gosto de ser o Charles de sempre, andando pra frente e pressionando. Se ele me colocar para baixo, ele vai me levar pra onde eu vou melhor, que é no chão, no jiu-jítsu. Tenho melhorado em todas as áreas, por isso acho que ele tem que ter mais preocupação comigo do que eu com ele. As lutas do Ogle são sempre a mesma coisa, sempre tentando levar para o chão ou jogando uns mata-cobras loucos. A parte que eu mais peco é na trocação, e estou treinando muito boxe, muay thai, kickboxing. Não posso dizer que estou 100%, mas quem vir a luta deste sábado vai me ver muito melhor na parte em pé do que antes. Tenho treinado usar muito mais a minha envergadura, principalmente contra adversários mais baixos, como o Ogle. Isso vai ser visível. Por isso eu teria mais prazer em nocautear. Treinei o tempo todo pensando em nocaute, e eu vou para o nocaute. Se ele vacilar e cair na minha frente, e puder finalizar, eu vou finalizar. Mas o que eu quero é nocautear.

O canal Combate fará a transmissão ao vivo do evento neste sábado, a partir das 22h (de Brasília), e também da pesagem, na sexta, às 16h.

UFC: Machida x Mousasi
15 de fevereiro de 2014, em Jaraguá do Sul-SC

CARD PRINCIPAL

Peso-médio: Lyoto Machida x Gegard Mousasi
Peso-médio: Ronaldo Jacaré x Francis Carmont
Peso-meio-médio: Erick Silva x Takenori Sato
Peso-meio-médio: Viscardi Andrade x Nicholas Musoke
Peso-pena: Charles do Bronx x Andy Ogle

CARD PRELIMINAR

Peso-leve: Cristiano Marcello x Joe Proctor
Peso-leve: Rodrigo Damm x Ivan Batman
Peso-leve: Francisco Massaranduba x Jesse Ronson
Peso-galo: Iuri Marajó x Wilson Reis
Peso-pena: Felipe Sertanejo X Maximo Blanco
Peso-meio-médio: Ildemar Marajó x Albert Tumenov
Peso-pena: Douglas D'Silva x Zubair Tuhugov

Por: Ivan Raupp e Marcelo Russio/Combate
Foto: Ivan Raupp

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