segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Cris Cyborg desabafa: 'Ninguém tem o direito de te acusar sem provas'

Na última sexta-feira, a brasileira Cris Cyborg foi surpreendida mais uma vez por declarações do presidente do UFC, Dana White, envolvendo seu nome. A repercussão do caso foi tanta que, no fim de semana, Tito Ortiz, ex-campeão meio-pesado do Ultimate,  anunciou que estava deixando o cargo de empresário da lutadora, para que os seus problemas pessoais com Dana deixassem de influenciar no relacionamento de Cris com o UFC ou a realização do duelo entre ela e a campeã peso-galo do Ultimate, Ronda Rousey.

Neste domingo, Cyborg quebrou o silêncio sobre o caso e fez um desabafo à equipe do Combate.com:

- Fiquei triste por ver uma pessoa que não me conhece e que me viu apenas uma vez na vida tentar me desmoralizar perante os meus fãs e o meu público, sem nem sequer saber os princípios com os quais fui educada pela minha família. O que eu posso dizer? Só posso continuar usando o mesmo antídoto que eu usava quando criança: treinar cada vez mais. Era isso que eu fazia quando me aborrecia com algo - declarou a brasileira, completando:

- Ninguém tem o direito de te acusar sem provas. Já expliquei muitas vezes que o episódio do doping foi um erro durante a perda de peso para aquela luta, e é com os nossos erros que evoluímos. Justamente por não sermos perfeitos, não temos o direito de julgar ninguém. Já se passaram dois anos desde então, eu já cumpri suspensão, retomei minha carreira, voltei a ser campeã com a ajuda do Tito Ortiz e do George Prajin, que me estenderam a mão quando todo mundo me deu as costas…E, enfim,  já lutei três vezes, sendo que fui testada em duas das últimas três lutas. Podem me testar hoje, amanhã ou quando quiserem. Eu estou com a consciência tranquila. Não posso ser julgada pelo resto da vida por um erro que eu cometi há 2 anos. Não quero ser lembrada a minha carreira inteira pelo único erro que eu cometi.





Com 12 vitórias na carreira e apenas uma derrota, Cristiane Justino Venâncio dos Santos ficou realmente conhecida ao tomar o cinturão peso-pena de Gina Carano, em 2009, pelo extinto Strikeforce. Ela precisou de apenas um round para vencer a rival, com uma performance que entrou para a história do MMA feminino. Mas, até se tornar campeã da competição, a brasileira teve uma vida de superação de dificuldades e preconceitos e de paixão por esportes:

- Eu estava lembrando de tudo o que aconteceu na minha vida e de como cheguei aqui hoje. Não foi de um dia para o outro. Desde criança eu pratico esporte, desde os meus 12 anos. Na verdade, eu descobri nas aulas de educação física como fazia bem praticar algum tipo de esporte e era assim que eu me esquecia de todas as coisas que me aborreciam. Eu era uma garota um pouco rebelde,  meus pais eram separados e isso me incomodava, mas eu usava o esporte para esquecer de tudo - conta, completando:

- A minha infância foi assim, competindo handebol e heptatlo (esporte olímpico que consiste em sete modalidades de atletismo). E não estou falando isso para me supervalorizar ou para dizer que sou melhor que ninguém, e sim para algumas pessoas entenderem que nada aconteceu na minha vida de um dia para o outro. Tudo sempre foi com muito sacrifício e, apesar de eu ter começado a lutar meio tarde, tudo o que passei antes de ser lutadora me deu uma experiência que ninguém pode tirar de mim e ninguém tem o direito de tentar apagar meus esforços. - completa.

Foi aos 19 anos de idade que Cris foi convidada pelo pai de um colega para fazer um treino de muay thai na academia Chute Boxe, em Curitiba, mesmo lugar onde treinavam nomes como Wanderlei Silva, Maurício Shogun Rua e Anderson Silva. Hoje, aos 28 anos de idade, a brasileira se prepara para defender, no próximo mês, o cinturão peso-pena do Invicta FC e para disputar o cinturão da competição de muay thai Lion Fight, em Las Vegas (EUA).

- Na época em que entrei na Chute Boxe, os  meus professores eram os mestres Rudimar Fedrigo e Rafael Cordeiro, que me ensinaram meus primeiros passos, mas muita gente lá também me ajudou, como o Evangelista Cyborg, Osmar Dias, Nilsão Castro, Fábio Cunha e outros - se eu esqueci alguém, peço desculpas. Essas pessoas foram e continuam fazendo parte da minha história, conviveram comigo no dia a dia e sabem que, o que eu estou conquistando hoje, não caiu do céu. Não tive nenhuma fórmula mágica e sim muita dedicação e treino. E é assim que vou ser sempre. Falem o que quiser de mim, eu vou continuar focada, treinando e vou superar mais esse obstáculo. Só tenho é que agradecer a Deus e pedir forças, porque esta não é a primeira e nem será a última pedra em meu caminho. Deus só dá as batalhas mais difíceis para seus soldados mais duros - finalizou.

Por Evelyn Rodrigues/Combate
Foto: Divulgação

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